Descrição


ANTEPARO – CENA CONTEMPORÂNEA


O estado atual das artes está em processo contínuo de especialização, mas nem sempre é contemplado pelos campos referenciais e perceptivos dos estudantes recém-ingressos no campo dos estudos teatrais.

No panorama das artes cênicas as noções de “personagem” e “texto dramático”, que há pouco eram consideradas fundantes da cena, não mais dão conta dos processos contemporâneos de criação. “Teatro pós-dramático”, “teatro performativo”, “performer”, “teatro colaborativo”, o espaço cênico não convencional e as novas mídias utilizadas das mais inusitadas maneiras na cena teatral, abriram outros caminhos para o trabalho do ator-performer e para o desenvolvimento da cena.

Na maioria das vezes é possível constatar que, em relação ao trabalho do ator, as referências iniciais dos estudantes recém-ingressos nos cursos de teatro se dão da seguinte ordem: o ator de televisão, depois o de cinema, por último aparece o de teatro. Não é de se estranhar, uma vez que sabemos muito bem o que significa o impacto da televisão e o espaço que a telenovela ocupa em nossa sociedade. Esta constatação possibilita apenas afirmar que as noções iniciais sobre o ofício do ator estão muito relacionadas à construção de personagens e à necessidade do texto dramático para o desenvolvimento dos processos de criação - noções que certamente não são inválidas, mas não são mais suficientes para referenciar o panorama teatral contemporâneo.

Esta “Cartografia Visual: 1ª Paisagem” se estabelece como uma espécie de campo de confronto, promotor de pequenas fissuras nos campos referenciais e perceptivos dos estudantes recém-ingressos, sobre: a cena teatral contemporânea, o trabalho do ator-performer, a abordagem do espaço cênico e a utilização das novas tecnologias e as visualidades da cena.


(Eduardo De Paula)

Hécuba o el Gineceo Canino


Análise do espetáculo: Guilherme Rodrigues Pereira; Projeto: Cartografia Visual: 1ª Paisagem (PROGRAD-DIREN/UFU; 2013-2014); Coordenação, Orientação e Coautoria: Eduardo De Paula (Teatro-IARTE/UFU).





Sinopse


Nesse espetáculo o argentino Emilio García Wehbi, fundador do “El periférico de objetos”, cria um texto que entrelaça duas histórias sobre a posse pelo destino: Hécuba e Medéia – ambas, escritas por Eurípedes. A primeira, perde vários de seus filhos na guerra, a segunda, mata seus dois filhos. Além destas mulheres romperem com as barreiras morais impostas pela sociedade, suas ações às aproximam da pulsão primitiva e animalesca presente em todo e qualquer ser racional ou irracional.

Wehbi, além de dirigir peças teatrais trabalha com óperas, performances, instalações e intervenções urbanas – algumas delas já foram apresentadas em mais de 20 países, entre eles Brasil, França e Japão.
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O trabalho do ator



Este espetáculo utiliza dois atores em cena, mas conta com a participação de vozes em off e do poeta Nicholas Prividera que, em um determinado momento, sobe ao palco e recita um poema. O trabalho dos atores se funda no jogo performativo, e eles abordam a dor e a submissão. Em entrevista, a atriz disse que precisou entender o teatro como um campo poético em que o ator pode trabalhar de modo a romper com o sistema de interpretação representativo e seguir um caminho mais experimental.

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Mídias e visualidades da cena

O espetáculo explora o uso de microfones e câmeras filmadoras. Uma destas, acoplada à cabeça da atriz, é utilizada para captar e projetar de modo ampliado a sua expressão facial. Na projeção a imagem ganha um tom azulado, dando a sensação de frieza e assombro. Outras imagens são projetadas na cena e, também, utilizam uma máquina que lançar plumas, criando uma ambiência onírica e fantasiosa.


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As projeções são feitas em uma estrutura disposta no espaço, em formato de um “V”. Os figurinos utilizados são reconhecidamente cotidianos: camisa, camiseta, calças e sapatos.  A atriz utiliza pouca maquiagem, já o ator fica com o rosto bastante pintado e usa uma camisa escrita Chronos que, na mitologia grega, além de ser o senhor do tempo, é o devorador dos seus filhos. Cronos também está relacionado à maturidade que adquirimos com o passar dos anos e como aprendemos com a experiência. 


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Ficha técnica: Adaptação e direção: Emilio García Wehbi; Elenco: Maricel Alvarez, Emilio García Wehbi, Horacio Marassi e Nicolas Prividera; Cenografia, diretor assistente e produtor executivo: Juliet Potenze; Sonoplastia: Marcelo Martinez; Vídeo e imagem Projeto: Santiago Brunatti; Foto: Sebastian Arpesella; Projeto Gráfico: Leandro Ibarra; Produtor Associado: Roberto Malkassian.

Crédito das imagens: Emilio García Wehbi, Argentina: http://goo.gl/ei9DiT; http://goo.gl/20CnMFhttp://goo.gl/EmW7Am.